... Mas eu consigo!


Claro que consegue, mas juntos chegaremos sempre mais longe! É notório o estigma que ainda existe sobre o recurso à consulta de psicologia. Há anos que a Psicologia Clínica enquanto ciência e prática profissional se destaca na saúde mental e na prevenção e bem-estar psicológico, mais do que a dedicação à patologia mental. Ainda assim, continua a dizer-se por aí «não sou maluco para ter que ir a um psicólogo».

É certo que numa fase tão difícil como a que vivemos, a Psicologia passou a ser um recurso a considerar, na maioria dos casos em situações em que as pessoas já não estavam bem há anos e que no tormento abalaram-se nas parcas estruturas que iam construindo. Sintomas como ansiedade, distúrbio do sono, mal-estar familiar, stresse profissional, que se prolongam no tempo, na expetativa de que passe, tal dor no joelho quando o tempo muda. Dificilmente sintomas de foro psicológico que se prolongam por meses ou anos passarão sem que se faça algo. Há quem prefira ou (realmente) necessite atenuar os sintomas com farmacologia, há quem ganhe a coragem de cuidar de si mesmo e se atreva a procurar terapia.

Tomar a decisão de procurar ajuda é de um gesto investido de autoamor e generosidade, de uma voz que soa mais alto que a dor. Ou de uma dor que, profunda, esgravata assumindo-se acima da crença. Mesmo quando a consulta é motivada por familiares, caberá ao profissional ajudar a compreender os sintomas e a importância do acompanhamento psicológico. Resistir, dizer-se que se está bem, quando evidentemente não está, é um dos sintomas de que procurar um profissional ajudará a não desenvolver mais desse mal estar. É possível viver sem aquela ansiedade, conseguir dormir melhor, ter relacionamentos mais tranquilos; porém, envolvido no seu drama, a pessoa não sabe, não acredita, não vislumbra possibilidades. A “culpa” não é dela, mas de um sistema que promove e perpetua a trama, o lamento.

Hoje, a psicologia também está para o crescimento pessoal, a autovalorização e autorrealização, fatores que são possíveis quando a pessoa está mais estável mentalmente.

Pois, o uso da capacidade da mente é o principal instrumento de suporte neste processo de

autoconhecimento, no qual o cliente compreende as suas principais crenças que o têm limitado, os seus padrões de pensamento-ação, as suas reais ambições e formas de chegar lá.

Esta missão da psicologia integra a beleza de assistir verdadeiras transformações entre o sentimento de não vontade de viver e a amorosidade por quem se é e pelo que se faz. É sempre mais fácil permanecer-se na dor emocional que mói, mas que já se está habituado, do que levantar-se para “se erguer”. É aliar a vontade de querer com a perspicácia de se munir dos bons recursos.


Dra Anabela Vitorino Costa





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