#9 Dar também é uma forma de bem-estar

Entrámos numa época do ano em que se preconiza a partilha, a harmonia e a pacificação.

Estas ações em si mesmas são benéficas para o bem-estar psicológico e querem-se para o bem do relacionamento interpessoal. O facto de haver uma época específica em que é mais incentivado, associado a tantas incongruências nas relações humanas, promove em muitas pessoas uma espécie de aversão, por se sentir que é algo manipulado utilizado por diversos poderes. A considerar também as pessoas que foram tendo perdas significativas, em que a época festiva natalícia deixa de ter o convívio e o conforto de outrora.

Esta é uma época do ano que se pode aprender a amar, quando a perpetuamos nos restantes dias do ano, na dimensão da nossa existência. Quando, independentemente das crenças, conseguimos discernir que dar e receber nada tem a ver com uma época anual, tem somente a ver com aquilo que cada um pretende ser na sua existência. No seu dia-a-dia. Se estimássemos mais, se agradecêssemos mais, se dessemos mais, se soubéssemos receber mais… não precisaríamos de “sentir” uma determinada época. A cada dia teríamos a consciência da nossa responsabilidade enquanto pessoa e da função de cada pessoa que se cruza connosco.

Aprendemos muito pouco dos ensinamentos simples que em algum momento aprendemos, crentes ou não crentes, não se trata de religiões. Trata-se de valores, de mensagens, de capacidades de interação com o próximo. Aprendemos muito pouco. Sobre como a forma como nos sentimos desencadeia respostas nas interações com os outros, sobre o quanto dar pode ser motivador, dar sem esperar em troca e sem submissão e humilhação. Aprendemos muito pouco sobre o quanto cada um de nós está aqui para dar aos outros. Tudo o que temos passou pelas mãos de alguém até chegar a nós. Todos fazemos algo em prol das outras pessoas. Não aprendemos nada sobre o valor de quem somos e do que damos. E se não aprendemos sobre isso também não aprendemos sobre o valor dos outros. Amar, seria isso.

Quando damos, sem expetativa de receber em troca, mas com a certeza de que também receberemos, (sempre), a nossa vibração emocional eleva-se. Com isso, expandimos o sentimento de bem-estar e de alegria, porquê? Porque cumprimos “missões”: dar ao outro. Criamos valor. E não há nada que alegre mais o ser humano do que a sensação de “criar valor”. Mas estamos pobres de espírito, infiltrados no medo, temos medo até de ver o valor que cada um de nós tem. Experimente por si, dar. Nunca por pena, ou orgulho, ou vazio. Dê. Não só agora. Todo o ano. E veja a diferença que isso fará na forma como se sente na sua vida.

Termino com uma palavra para quem perdeu entes queridos neste momento frágil que vivemos. A si, a quem o calor natalício parecerá gélido, apenas aceite quem lhe trouxer bem. Não preencherá o vazio que possa sentir, pode até não haver forma de apaziguar a dor, mesmo sabendo que nunca estará só, mas aceite o que vem em bem.



 

Dra Anabela Vitorino Costa

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