#13 Omeletes sem ovos. Sobre a motivação e a atitude


A maioria das pessoas sente-se desiludida porque a vida, os outros, não corresponderam às suas expetativas, sendo que por “outros” podemos interpretar outras pessoas, famílias, empresas, Estado. O que a maioria não compreende ainda é que as expetativas baseadas no que os outros lhes darão são meras projeções mentais, desejos. Muitas vezes (ou sempre) baseados na fraca responsabilização pela capacidade de si mesmo. Pelo seu poder pessoal em transformar as coisas. Ainda há quem tenha efetivamente transformado sempre as circunstâncias da sua vida, mas não percebeu o seu poder, continuando com raiva e zanga pelo que os outros não lhe deram.



Três premissas:


1) A motivação é sempre uma porta que só abre por dentro, ela é intrínseca, apesar de se falar de motivação extrínseca (que vem de fatores externos como dinheiro, um relacionamento, uma casa, um trabalho, um posto de poder….), estes fatores são meros objetos de desejos, caso a pessoa fique apegada a eles, quando desaparecem desaparece também ao seu sentido de propósito (com «p» minúsculo mesmo!). Ora, há fases em que a pessoa auto-motivada precisará de estímulos externos, porque poderá estar mais desanimada, prostrada, mas ainda assim, ela sabe que são estímulos, que ela não depende disso, muito menos a vida dela. Ela sabe que depende de si mesma, da sua inteligência, dos seus talentos, das suas capacidades sensoriais, dos seus membros e que isso sim lhe dá a capacidade de ter atitude perante a vida e as circunstâncias. A pessoa auto-motivada, quando não está bem, procura então os recursos externos, com sabedoria, com consciência de que eles apenas são propulsores de motivação, não a motivação em si mesma, essa pessoa não fica à mercê dos outros, das empresas ou do Estado, para se re-criar. Ela vai, ela faz. Ela toma atitude. «E quando tem limitações, Anabela?» Na verdade, limitações todos temos, mas há, de facto, limitações de qualquer ordem que possam ser “mais limitadoras”, a pessoa auto-motivada TRANSFORMA com sabedoria, ela reconhece o seu potencial em ação e as suas limitações, ela recorre a quem possa ajudar a transformar, a fazer omeletes sem ovos. Mas ela faz.


2) As emoções que sente são sempre da pessoa que as sentem sentir raiva ou rancor porque algo, alguém não correspondeu às expetativas do próprio, apenas contaminará mais e mais a pessoa que sente, e nesse caso em vez de ter capacidade de transformar está a criar a sua própria vivência de dor e perda. Sentir raiva e rancor, por exemplo, é legitimo. Mas compreenda então o que está a levar a isso, por detrás vive sempre a tristeza e a frustração. Porque o outro não correspondeu ao que se queria, ou porque houve danos ou perdas. Conselho: se puder, vá direitinho à tristeza, permita-se sentir a tristeza e verá como a pouco e pouco a motivação será maior que a dor da perda. Da expetativa.


3) Para se ter atitude, que vem da motivação (do latim, «emovere») a força de vontade terá que ser superior ao medo ou à carência, ou aos sentimentos de frustração. Nos estados emocionais de dor, fracasso, apatia, culpa ou vergonha, ninguém expande. Na vontade, na coragem, na aceitação, no amor e na alegria, sim. Quem está em modo motivado, está nestes estados emocionais mais elevados. Define o que quer, sabe que quer e segue. E quando existem fracassos? A pessoa auto-motivada sabe que esse é o risco de fazer. Pode fracassar sim, ficará mal, naturalmente. Depois levanta-se, sacode o pó da roupa e segue. Sabe que a sua própria vida depende dela mesmo, e que é com ela que vive a tempo inteiro. Pais: ensinem os vossos filhos a seguir, a descobrir o que querem e o que gostam. Estamos numa sociedade em que nada será dado, e quanto mais cedo se compreende isso, mais cedo damos oportunidade a estes filhos compreenderem que têm poder, que são valentes! E, pais, se não o souberem fazer vocês mesmos, permitam que eles descubram como isso se faz.


 

Dra. Anabela Vitorino Costa

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